Migração

Migração para Microsoft Fabric: 6 erros que atrasam o projeto e como evitar

Nos dois resgates de migração que conduzi, o projeto chegou até mim com meses de atraso. Em nenhum deles o problema era a ferramenta. Microsoft Fabric e Databricks funcionam bem. O que falhou foi o planejamento.

Aqui estão os erros que vi se repetirem e o que eu faria desde o primeiro dia. Vale para migrar Power BI e SQL Server para o Fabric, ambientes on-premise para Databricks ou uma plataforma para a outra.

1. Começar a migrar sem discovery e sem plano de rollout

Este é o erro que causa quase todos os outros. O projeto começa movendo workloads antes de alguém saber o que existe, o que é usado e quanto cada coisa consome. Sem essa base, cada onda descobre uma dependência nova e o cronograma escorrega.

O discovery precisa ser feito com dados de uso atuais, e não com entrevistas ou com a lista de relatórios que alguém lembra. Os artefatos que eu monto nessa fase são:

  • Inventário com uso real: todos os relatórios, modelos semânticos e pipelines, com acessos por relatório e por usuário. No Power BI, esses dados vêm do log de atividades da API de administração.
  • Consumo de capacidade: quanto cada workload consome e em que horários, por exemplo pelo app Microsoft Fabric Capacity Metrics.
  • Mapa de dependências: de quais fontes e pipelines cada modelo e relatório depende.
  • Matriz de priorização: uso, criticidade para o negócio, esforço de migração e impacto na capacidade.
  • Lista do que não migrar: relatórios sem uso que podem ser desligados.

Com isso em mãos, o plano de rollout deixa de ser um chute: ondas definidas pela prioridade, critérios para cada onda começar e terminar, data de desligamento de cada relatório antigo, responsáveis e checkpoints de capacidade.

Num dos projetos, os dados de uso mostraram que os dashboards já entregues tinham adoção próxima de zero. Depois da correção, a adoção chegou a 83%. No outro, montei o plano de rollout antes de tocar em qualquer workload, e foi ele que permitiu caber numa capacidade fixa.

Como evitarAntes de mover qualquer coisa, reserve de 1 a 2 semanas para o discovery com dados de uso e para o plano de rollout. Esse tempo volta multiplicado no resto do projeto.

2. Dimensionar a capacidade só para os dados

No Microsoft Fabric, a capacidade (a F SKU contratada, como F64) é compartilhada: engenharia, atualização de modelos e uso dos relatórios disputam os mesmos recursos. Muitas migrações calculam a capacidade pelo volume de dados e esquecem quantas pessoas vão abrir os relatórios ao mesmo tempo.

Num dos projetos, cerca de 200 dashboards sobre 1 TB precisavam caber numa F64 fixa. O pico chegava a 98%. Depois de reorganizar o rollout e os modelos, caiu para 61%.

Como evitarUse o consumo medido no discovery para estimar a capacidade e acompanhe o consumo a cada onda do rollout.

3. Fazer lift-and-shift do modelo antigo

Levar o modelo de dados exatamente como está parece mais rápido, mas leva junto todos os problemas: tabelas duplicadas, métricas calculadas em vários lugares e um modelo semântico pesado que continua lento no ambiente novo.

Num dos casos, a causa raiz do atraso era uma camada semântica mal modelada. Nenhum ajuste de infraestrutura resolveria.

Como evitarAproveite a migração para revisar a camada ouro e o modelo semântico. Definir as métricas principais uma vez, num lugar só, melhora desempenho e confiança.

4. Manter o legado vivo sem controle

É comum o time seguir atualizando os relatórios antigos enquanto os novos são construídos. Sem regra, as duas versões passam a mostrar números diferentes e o negócio continua usando a antiga.

Como evitarCongele o escopo do legado no início e siga as datas de desligamento do plano de rollout. Relatório novo homologado, relatório antigo fora do ar.

5. Tentar refazer tudo

Quando a migração atrasa, a tentação é recomeçar do zero “do jeito certo”. Com capacidade e prazo limitados, isso quase sempre aumenta o atraso.

Como evitarCorte escopo com critério, usando a matriz de priorização: o que é muito usado e está com problema vem primeiro, e o que ninguém usa é desligado.

6. Deixar o time para o final

Se só a consultoria entende a nova plataforma, o projeto termina com uma dependência no lugar de uma solução. O risco aumenta quando o time interno muda durante o projeto, o que é comum.

Como evitarDefina padrões e documentação desde o começo e envolva o time interno em cada onda. Treinamento funciona melhor junto com o trabalho.

Checklist antes de começar a migração

  • Inventário de relatórios, modelos e pipelines com dados de uso atuais.
  • Consumo de capacidade medido por workload e por horário.
  • Mapa de dependências e matriz de priorização.
  • Plano de rollout em ondas, com critérios e datas de desligamento do legado.
  • Revisão do modelo semântico e das métricas principais.
  • Padrões, documentação e responsáveis internos desde a primeira onda.

Se a sua migração para Microsoft Fabric ou Databricks já está atrasada, comece pelo discovery. Veja como funciona o serviço de migração para Databricks e Fabric ou leia o case de uma migração resgatada em 12 semanas.

Ilich Briceño
Ilich Briceño

Consultor de dados e fundador da Loucoud. Trabalha há mais de 10 anos com plataformas de dados e hoje se dedica a Databricks, Microsoft Fabric, Power BI e IA generativa sobre dados.

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Ilich Briceño
Ilich BriceñoFundador, responde pessoalmente
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